Depois de anos de subidas fortes, o mercado imobiliário português dá sinais de ajuste. Os preços continuam a subir, mas cada vez mais devagar. As vendas estão a cair e começam a aparecer os primeiros descontos
A subida dos preços perde força
Segundo o INE, os preços da habitação subiram 16,5% no ano terminado no segundo trimestre de 2026. É um valor ainda elevado, mas é o segundo trimestre seguido de abrandamento, depois do recorde de 18,9% no final de 2025. A subida de um trimestre para o outro também diminuiu, de 3,8% para 3,6%.
Menos compradores no mercado
O número de casas vendidas caiu 6,4% face ao ano anterior, a terceira quebra consecutiva. Com as casas a encarecerem três vezes mais do que os salários e os juros do crédito novamente a subir, muitas famílias adiaram a compra. Menos procura acaba por travar a escalada dos preços.
Primeiros descontos
A maioria dos vendedores ainda mantém os preços, mas isso começa a mudar. No segmento de luxo, 7% das casas à venda baixaram de preço no segundo trimestre de 2026, com uma redução média de 8,5%. É a percentagem mais alta desde o início de 2025. Os descontos surgem sobretudo quando a venda demora a acontecer.
Ajuste, não queda
Os especialistas não preveem uma descida brusca. O FMI admite um risco de correção a curto prazo, mas considera-o limitado. Os promotores e as imobiliárias contam com um arrefecimento gradual dos preços, sem sobressaltos. A falta de casas no mercado continua a sustentar os valores.
Um mercado onde é preciso destacar-se
Num mercado em ajuste, os compradores têm mais tempo para comparar e negociar. Os imóveis com preço realista e boa apresentação vendem mais depressa. Os que ficam muito tempo à venda acabam, muitas vezes, por baixar o preço.
Preparar bem a casa antes de a pôr à venda faz a diferença. Espaços arrumados, luminosos e decorados de forma neutra, e boas fotografias, ajudam a captar interesse desde o primeiro anúncio e a defender o valor pedido.